Tratamento: o que se pode fazer?

Uma vez que fica claro que existe um uso intenso e que está acarretando prejuízo significativo para o indivíduo, e, quando as tentativas de combinações e limites não são eficientes, é importante que se busque orientação especializada.


Avaliação
Uma avaliação completa pode, além de determinar a real extensão do problema com jogos e redes sociais, compreender as dificuldades que o indivíduo possa estar passando nessa fase de sua vida, entender melhor como está seu relacionamento com amigos e familiares, avaliar aspectos de personalidade e identificar ou descartar outros possíveis transtornos mentais (depressão, ansiedade social, déficit de atenção, entre outros) que possam estar contribuindo para o uso excessivo das tecnologias.


Terapia ou medicação?
O tratamento da dependência de tecnologia é fundamentalmente psicoterápico, não existindo até o momento nenhuma medicação aprovada para tratamento desse transtorno. O uso de psicofármacos fica restrito àquelas situações em que se identifica algum outro transtorno que comprovadamente responde bem ao uso destas medicações.


Uso moderado
O objetivo no tratamento da dependência de tecnologia não é a abstinência completa, pois isso nos dias de hoje poderia ser muito mais prejudicial do que benéfico. O objetivo principal do tratamento é o uso moderado, no qual a pessoa consegue obter os melhores benefícios dessas tecnologias, mas não apresenta mais o prejuízo decorrente desse comportamento.


O vínculo
Desde o início da avaliação é fundamental o estabelecimento de uma aliança terapêutica de confiança, que servirá como base para a terapia propriamente dita. É necessário que se desenvolva um ambiente no qual o jovem seja ouvido com atenção e sem julgamento, e que suas informações sejam tratadas de forma absolutamente sigilosa.  O terapeuta precisa ter em mente que o paciente pode não estar 100% motivado a mudar seu padrão de uso da internet, deve respeitar essa situação e tentar trabalhar para aumentar a motivação do paciente.


A família
No atendimento de pacientes com sintomatologia muito intensa e muito pouco motivados para o tratamento, a participação dos familiares é um grande auxílio para o terapeuta conseguir chegar num diagnóstico preciso. Nesses casos, a terapia familiar pode acabar sendo mais efetiva. Quando a pessoa reconhece que o uso de rede está causando muitos prejuízos na sua vida e está motivada a modificar esse comportamento, a terapia individual é a mais indicada.