As redes sociais têm se tornado parte da vida social da maioria dos usuários de Internet e são responsáveis por mais de 60% do tráfego da rede no Brasil. Atualmente as mais utilizadas são o Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp. As redes facilitam a interação social, a formação de vínculos, troca de informações, definição de nichos de mercado, entre inúmeras outras possibilidades.

Rapidamente elas se tornaram a principal forma de comunicação on-line entre os adolescentes. Um dos motivos para isso pode ser o fato de que, nesse tipo de interação, as habilidades sociais podem não ser tão necessárias como na interação face a face. Isso seria um facilitador para adolescentes com algum grau de baixa auto-estima ou timidez.

Talvez a principal dificuldade que se encontre no manejo diário dessas novas situações resida no borramento das fronteiras entre o público e o privado (ver abaixo) e os consequentes riscos ligados a superexposição.

O que as redes sociais oferecem de tão interessante?

A internet, desde sua popularização a partir dos anos 90, tem modificado de forma significativa o modo como as pessoas se relacionam. As redes sociais facilitam a comunicação através da exposição de fotos, textos, músicas, vídeos e arquivos diversos para outros usuários que façam parte dessa mesma rede. Além disso, é possível conversar através de chamadas por vídeo, som ou texto em tempo real com outros contatos que estiverem online ao mesmo tempo.

Desta forma, ocorreu uma intensa facilitação de possibilidade de encontros para namoro, amizade, contatos profissionais ou autopromoção, aprofundamento das relações, além de poder funcionar como uma espécie de diário compartilhado no qual a história de vida do indivíduo vai sendo registrada através das postagens na rede.

Porque as redes sociais são tão atraentes para os adolescentes?

As interações sociais são provavelmente o aspecto mais importante da vida humana, e são os adolescentes que usam a internet predominantemente para comunicação interpessoal. Os jovens de hoje já nascem em um mundo inundado por novas tecnologias, e têm nelas um importante instrumento de socialização.

A internet proporciona ao adolescente um espaço de experimentação onde ele se sente mais à vontade para por em prática as principais tarefas dessa fase da sua vida, como o início da independência dos pais e da sua experimentação sexual. O Facebook e todas as outras redes sociais permitem aos usuários adicionarem novos amigos, serem atualizados sobre o que acontece com eles, verem fotos, saberem sobre seus interesses e terem acesso a outras informações pessoais. Basta criar um perfil para interagir com os atuais amigos, e conhecer outras pessoas baseado em interesses semelhantes.

Segundo recentes estudos, os mais extrovertidos parecem usar as redes sociais como maneira de ampliar o círculo de amizades, enquanto que os mais introvertidos usam-na como forma de compensação social, já que a interação on-line causa menos ansiedade que o contato cara a cara. Esse ambiente é menos angustiante para o jovem em fase de construção da própria identidade porque permite um maior controle daquilo que mostra aos outros, facilitando a interação social. E, quando as dificuldades normais da adolescência se encontram intensificadas, por quaisquer motivos, alguns jovens acabam utilizando a internet não apenas como um facilitador, mas sim como a principal forma do contato social.

Os adolescentes e a privacidade nas redes sociais  

O público e privado (desde muito antes da Internet)

O limite entre o espaço público e o espaço privado é algo que varia conforme as sociedades, culturas e momentos históricos. As pessoas configuram o que deve ser compartilhado no espaço público e privado de acordo com a educação que recebem de seus familiares e da sociedade em que se vive.

Aprendemos que, nos espaços públicos, devemos ser mais formais e preservar nossa intimidade, enquanto, no espaço privado, podemos manifestar nossos afetos e interagir de maneira mais informal. Os comportamentos, sentimentos e atitudes que podem ser compartilhados no ambiente privado e não são bem vistos no ambiente público se alteram de acordo com os padrões culturais de nossas famílias e a cultura da região em que vivemos, podendo ser um pouco ou até mesmo muito diferentes.

Diariamente aprendemos como devemos ou não agir nas interações sociais nos espaços públicos e privados nas relações familiares, escolares, de vizinhança e na comunidade em que vivemos. E hoje como as crianças e os jovens de hoje têm aprendido o que é publico e o que é privado nos tempos da internet? Como saber o que deve ou não ser compartilhado no mundo virtual? Quais relações são intimas? Quais relações são públicas? E o que é intimidade?

Estas questões precisam ser discutidas e pelos pais e professores juntamente com seus filhos ou alunos, pois a internet tem influenciado profundamente muitas mudanças que tem acontecido nas relações interpessoais. Precisamos, como sociedade e também como família, refletir sobre os ganhos e os possíveis prejuízos decorrentes dessas novas possibilidades de nos relacionarmos.

Privacidade e redes sociais: Alguns riscos

A exposição pública através das redes sociais pode trazer eventuais riscos. Uma recente pesquisa sobre os usuários entre 9 e 16 anos que participam de redes sociais mostrou que 25% têm um perfil público configurado de modo que todo mundo possa visualizá-lo sem restrições de privacidade. E 2% sequer sabem como seu perfil está configurado.

Entre os pais, a mesma pesquisa mostrou que 7% dos pais entrevistados acham muito provável que seu filho venha a ter algum incômodo ou constrangimento na internet nos próximos 6 meses, e que 11% não têm ideia se isso pode acontecer ou não. Além disso, 22% não considera que o filho saiba utilizar a internet com segurança, enquanto que 8% dos pais ou responsáveis sequer têm ideia sobre isso.

Estudos mostram que, ao contrário dos adultos, os adolescentes revelam mais informações pessoais, e também são mais permissivos em relação às configurações de privacidade. Essa diferença em relação aos adultos pode estar relacionada ao aumento da vulnerabilidade ao desenvolvimento de outros transtornos relacionados também às redes sociais. Num estudo recente, a dependência de internet em adolescentes se mostrou associada a conflitos familiares importantes, envolvimento em condutas de risco, pior rendimento escolar e maior incidência de depressão.